Em O bem e o mal na psicologia analítica, texto presente em Escritos diversos, Carl Gustav Jung relaciona seu conceito do “si mesmo” (self) ao de “atman“. E segue: “O que aqui chamamos de ‘si-mesmo’ não se encontra somente dentro de mim, mas em todas as coisas, como o ātman, como o Tao. É a totalidade psíquica.”
Aqui convém tomarmos cuidado com a terminologia. Por “totalidade psíquica” não podemos entender simplesmente “mente” (consciente e inconsciente), pois atman não é sinônimo de mente, esta é seu veículo de manifestação. Nós, e Jung, entendemos que a totalidade psíquica [e física] não é tudo, e nesta visão podemos chamá-la de “atman manifestado” ou, talvez melhor explicado, o “atman com conteúdo”.
Talvez a diferença conceitual resida naquilo que transcende a totalidade psíquica. O si mesmo de Jung “não ocupa jamais o lugar de Deus, mas talvez seja um receptáculo para a graça divina” – isto se relaciona com a totalidade psíquica; o atman vai além, é também a própria “graça divina”.
O atman é não somente a totalidade psíquica, como também o que está além do psíquico, incluindo a totalidade do Universo manifestado (físico, astral, etc.) e o Espírito, que pode-se dizer que constitua sua essência.

Como o próprio Jung disse pouco antes, atman é “aquele que está em mim” e “serve-se de mim como expressão”, “aquilo que, para o dizermos em linguagem figurada, ‘atravessa-me como um sopro'”, ou seja, o agente último, a vida, a testemunha, e isso é extrapsíquico.
É esse caráter de testemunha que Jung sublinha mais adiante no mesmo texto: a apreciação do bem e do mal, da luz e das trevas, é uma oportunidade de encontrar a si mesmo, justamente, no centro. Percebemos, então, que não somos nem bons nem maus, e nos libertamos dos pares de opostos.
A totalidade psíquica pertence ao atman; ao mesmo tempo que este, em essência, não possui conteúdo, todo o conteúdo da mente e da Existência só existem por causa dele (ou desse) e são, de certa forma, ele (isso), sua manifestação ou maya.
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