➡️ Lila (līlā): jogo; brincadeira, esporte, passatempo, diversão, prazer. (sânscrito / gên. fem.)
Lila é o jogo, especialmente o jogo da criação, da Existência, a atividade do ser, no seu aspecto macrocósmico, brincando consigo mesmo, que é seu passatempo cósmico.
Por isso, em diversas linhagens hindus, lila é o jogo divino, os jogos ou esportes dos deuses [e dos seres].
No aspecto microcósmico ou individual, lila tem o mesmo significado: a vida é um jogo!
O que caracteriza um jogo é o deleite, o desfrute do momento, o que remete à nossa própria natureza. Lila tem a ver com o prazer de ser, de viver.
Quando você se converte em um jogador, você se torna divino. Se você é um trabalhador, você é humano; se você é um jogador, você se tornou divino. Então você participa do jogo. Por isso chamamos a Krishna o avatar absoluto.
Osho em O livro dos segredos, p. 142 do vol. 5 (cap. 68) em espanhol
Palco e papel
Nas horas de vigília, sobretudo socialmente, no mercado, na verdade é como se estivéssemos em um palco, representando um papel.
Podemos ter uma atuação esplêndida ou medíocre, mas quando voltamos para casa, se lá nos permitirmos o recolhimento, a meditação ou o que Jung chamou regressão, podemos voltar à nossa verdadeira natureza e perceber mais claramente todo aquele jogo e que somos, afinal, a testemunha de tudo o que está acontecendo.
De outra forma, ao invés do ator consciente, “nos perdemos na personagem” e consideramos o palco, aquilo que é transitório ou mayávico real, e o que é de fato real fica esquecido.
Deus está brincando

Portanto, a primeira coisa é: sou a favor da vida, tudo pela vida e tudo pelo prazer. Não sou a favor da seriedade sombria, não sou a favor da tristeza. Sou contra todas essas religiões que continuam ensinando as pessoas a serem sérias. Deus não é sério; caso contrário, as flores não existiriam. Deus não é sério; caso contrário, os pássaros não poderiam cantar. Deus é tremendamente divertido – é por isso que dizemos na Índia que a criação não é uma criação de fato, mas uma peça, uma lila.
Deus está brincando; ele é como uma criança correndo para lá e para cá. Por pura energia, transbordando, desfrutando, dançando mil e uma danças, cantando mil e uma músicas – nunca exausto, ele continua inovando, continua povoando a Terra. Cada pessoa é sua nova maneira de dançar e cada pessoa é seu novo esforço para cantar novamente, para amar novamente, para viver novamente. Cada pessoa é novamente um projeto, novamente um esforço. Ele nunca está cansado. Seu jogo é infinito.
Deus não é sério. Deus não é cristão. Ele não vive em uma igreja. Ele é festivo. Veja a vida: ela é uma festa constante. Ouça essas palavras – uma festa contínua. Veja as árvores florescendo continuamente, o sol, a lua e as estrelas. Do mais baixo ao mais alto, é o mesmo ritmo de alegria. Com exceção do homem, ninguém parece estar falando sério. Com exceção do homem, ninguém parece estar preocupado e ansioso. Com exceção do homem, toda a vida é divertida.
Osho em A busca – Os dez touros do Zen, p. 172.3-5

É interessante notar como as crianças e os animais possuem essa qualidade brincalhona que muitos de nós vamos perdendo ao amadurecer. De repente, a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa, morna e ingênua, que vai ficando no caminho…
Quando perdemos essa qualidade ou capacidade de jogar, é sinal de que estamos afastados de nossa verdadeira natureza, de nossa espontaneidade e autenticidade.
Jogar e galonfar
Os antropólogos descobriram que galonfar (galumphing, palavra inventada por Lewis Carroll [1896], que fusionou galopar e triunfar) é um dos principais talentos que caracterizam as formas de vida superiores (Miller, 1973). Galonfar é a energia lúdica imaculadamente barulhenta e aparentemente inesgotável dos cachorros, gatinhos, crianças, babuínos muito jovens… e também das comunidades e das civilizações. Galonfar é a elaboração e ornamentação aparentemente inútil da atividade. É licencioso, excessivo, exagerado, antieconômico. Galonfar é dar saltinhos em vez de caminhar, tomar o caminho mais pitoresco em vez do mais curto, jogar um jogo cujas regras exigem uma limitação do nosso poder, interessarmos nos meios mais do que nos fins. Criamos obstáculos voluntariamente em nosso caminho e nos divertimos superando-os. Nos animais mais evoluídos e em pessoas, tem valor evolutivo supremo.
Stephen Nachmanovitch, em Ser criativo: o poder da improvisação na vida e na arte, cap. 5 – A mente joga, a partir da tradução em espanhol
Estarmos envolvidos e concentrados em um jogo produz o efeito de fazer desaparecer o eu e o mundo e consequentemente de nos converter naquilo que estamos fazendo. Novamente, as crianças têm mais facilidade nessa prática, mas os adultos por vezes também desfrutam desse estado de absorção quando “entram em fluxo” de um trabalho, um jogo ou qualquer atividade – o trabalho e a pessoa tornam-se um só.
“Graciosa, brinque. O universo é uma concha vazia na qual sua mente brinca infinitamente.”
Vijnana Bhairava Tantra meditação 33 (transcrito por Paul Reps e traduzido por Albecy Cavalari e Rafael Blanco em A Carne e os Ossos do Zen, p. 226)
Pesquise aqui referências a Lila no site.
Aprofunde-se e consulte outros significados de Lila (līlā) – jogo na Yogapedia (em inglês) ou na Wisdom Library (português - tradução automática -, ou original em inglês). Na Wisdom Lib., caso o termo não seja listado, repita a pesquisa com o tipo Wildcard ou tente este link (pt / original-en).
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