O caminho do filho do homem

Durantes os estudos, reflexões e meditações sobre as passagens presentes nos evangelhos que pudessem ser atribuídas a Jesus nos deparamos com determinados ditos e discursos que muito provavelmente não se originaram nele mas que, não obstante, constituem valiosos ensinamentos existenciais e espirituais.

Esses conteúdos pertencem ao arcabouço de conhecimentos humano e possuem sua origem em fontes diversas, como em provérbios e outras passagens da Bíblia judaica e desenvolvimentos do pensamento do próprio Jesus e de outros autores, muitas vezes anônimos, que tiveram seus ensinamentos, presentes na cultura popular ou culta, atraídos magneticamente à figura de Jesus, de maneira análoga à qual provérbios foram atraídos a Salomão.

A esse conhecimento damos o nome de O caminho do filho do homem.

O título filho do homem nos parece adequado e conta com a vantagem de não ferir suscetibilidades, uma vez que para o cristão esta figura (de Dn 7:13-14), e logo o conteúdo atribuído a ela, é o próprio messias Jesus.

O caminho do filho do homem
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Ao homem o que é do homem

Mas o nazareno não foi o único sábio do seu tempo.

No caminho de Jesus apresentamos aquilo que pode ser atribuído a ele.

Aqui, estará o conteúdo que, atribuído a Jesus nas escrituras embora não seja dele, constitui ensinamentos importantes, que brotam dos motivos essenciais da alma e mente humanas.

Aqui já não importa quem é o autor; o caminho do filho do homem é feito de ensinamentos válidos de ser humano para ser humano.

Filhos e banquetes

Pela inefabilidade da Verdade, muitas vezes os mestres recorrem a método indiretos para abordá-la, de modo que aqueles que têm uma experiência reduzida dela em suas mentes os possam compreender (ver Mc 4:33-34).

Por isso muitos dos ensinamentos espirituais mais profundos se dão através de histórias, contos e parábolas.

Este é o caso da parábola do filho pródigo, certamente uma das preferidas nossas e do público, que com toda a probabilidade é um desenvolvimento do autor do evangelho de Lucas a partir da parábola da ovelha perdida (Lc 15:4-7) – que está presente na fonte de ditos e é bastante dependente do AT, com possibilidade ainda de ter incorporado de alguma forma conteúdo presente no cânon budista.

Não obstante, ela traz um conteúdo existencial significativo e válido.

Tudo o que foi falado ou escrito o foi por um ser humano. As histórias que têm maior probabilidade de se proliferarem e eternizarem são aquelas que encontram maior ressonância com nossa natureza e motivos interiores.

O mestre Jung foi o principal responsável por termos percebido a importância desses conteúdos que aparecem na cultura, como expressões – conscientes ou inconscientes – de nossa humanidade, do que nós somos, fomos e esperamos ser.

Muitos desses conteúdos possuem considerável parcela inconsciente.

Um caso emblemático é a parábola do grande banquete (Lc 14:15-24). Desenvolvendo o tema das preocupações mundanas da parábola do semeador (Lc 8:14 de Mc 4:18-19), é claramente uma composição do tempo das primeiras comunidades cristãs, demonstrando como o senhor, com a recusa de seus primeiros convidados (judeus e pagãos que não aceitavam a pregação), convidou os menos favorecidos. (Mateus22:1-10 – é mais dramático e mistura temas da parábola dos lavradores maus Mc 12:1-12/paralelos, e estende sua terrível narrativa nos versículos 11-14).

Mas o germe, que tem alguma chance de ser de Jesus, desenvolvido na parábola em Lucas traz uma verdade espiritual: “os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas e as ambições de outras coisas” tiram o foco do que realmente é importante, de nosso desenvolvimento, de nossa busca espiritual, da busca pela verdade ou por Deus.

Como diversas outras, esta parábola do grande banquete entra na categoria do “filho do homem” que estudaremos mais a fundo posteriormente.

Parábolas

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A semente de mostarda é uma coleção de 21 discursos proferidos em 21 dias seguidos por Osho em Poona (Índia) em 1974 sobre ensinamentos de Jesus presentes no Evangelho de Tomé, que teve seu mais completo manuscrito descoberto em escavações em dezembro de 1945, próximo a Nag Hammadi, no Egito.

Osho lança luz para além da interpretação teológica convencional sobre as palavras de Jesus presentes neste documento, que permaneceu totalmente marginalizado pela Igreja, não obstante possua muitas passagens em comum com os evangelhos canônicos, como a própria parábola da semente de mostarda

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