Deus pessoal (ou personificação de Deus)

Deus pessoal é uma ideia, a personificação ou antropomorfização de Deus ou Absoluto, ou seja, a atitude da mente humana de criar um Deus à sua imagem e semelhança. Deus então tem uma personalidade, um povo escolhido, livros sagrados pelos quais Ele fala sua palavra e estabelece sua vontade.

Livros sagrados: como a Bíblia cristã, o Tanaque (Bíblia Judaica), os Vedas, o Alcorão, etc.

Povo escolhido: como no Judaísmo, Israel (cf. por ex. Dt 7.6 e Am 3.1-2), e no Cristianismo, onde os componentes da igreja cristã herdam ou assumem essa atribuição de Israel (cf. por ex. 1Pe 2.6-10).

Personificar ou delimitar Deus é reduzi-lo

Esse Deus personificado, o Deus teísta, é produto da mentalidade das pessoas que o criaram: uma sociedade repressora criou um Deus repressor, uma sociedade machista criou uma Trindade masculina. Ou alguém (salvo algum shivaista ou shaktista) supôs que Deus na verdade é uma Deusa ou um ser com características intersexuais? Como seria possível, logo um Deus que está tão preocupado com a sexualidade dual ou cisgênera humana?

Apocalipse

O fim dos tempos da bíblia hebraica ou Antigo Testamento cristão estava ligado à ira de Deus com os seres humanos (como Ez 7.3) para punir seus pecados, à ira humana projetada em um “Deus” vingativo criado pelo homem, um Deus que nesse aspecto não existe. Todo esse contexto apocalíptico bíblico com quase 3 mil anos de idade é ilusório. (Na prática, estamos caminhando sozinhos para nossa própria dizimação ou aniquilação da vida nesta Terra.)

Deus-Pai

Deus, o Pai - pintura atribuída a Giovanni Battista Cima da Conegliano
Deus, o Pai – pintura atribuída a Giovanni Battista Cima da Conegliano © CC

Você já parou para se perguntar por que Deus-Pai? Esse Deus pai, autoritário, legislador, é projeção de uma mente e uma sociedade patriarcal. Deus real seria melhor descrito como uma mãe, que ama mais do que pune, fazendo o sol nascer sobre juntos e injustos – seria melhor referido como a Deusa.

Outro aspecto da projeção paternal e de autoridade de Deus é a “infância psíquica” em que vive o ser humano médio, ainda longe de encontrar um razoável grau de independência emocional.

O Deus psicológico

Psicologicamente, conhecemos sempre duas pessoas: a pessoa real e a nossa representação psicológica dela. O mesmo se passa com toda a realidade, inclusive com o que chamamos Deus.

Existe uma entidade tangível na mente de cada pessoa, que é esse Deus que ela aprendeu, que a sociedade deu a ela.

O Deus-Pai do Novo Testamento é um conceito psicológico de Deus, uma evolução, ainda que conservando o aspecto terrível, do Deus Jeová do Antigo Testamento, também é um conceito psicológico de Deus.

A aceitação do pecado e logo do arrependimento e de um salvador fazem parte do enredo desse Deus que a sociedade cristã criou; são a conformidade e a submissão a esse Deus psicológico, que é criação da mente e reside nela.

Mas o Senhor, que vos fez subir da terra do Egito com grande força e com braço estendido, a este temereis, e a ele vos inclinareis e a ele sacrificareis.

2 Reis 17:36

Esse Deus pessoal psicológico está presente desde o início da Bíblia; a voz dada a Deus nela – tome-se como exemplo Isaías 57:15-21 e 58 -, as pregações, as orações, etc. reforçam-no na mente de cada pessoa, e nela este transforma-se em uma “verdadeira” e “poderosa” entidade, um complexo na terminologia junguiana.

E a mente pode mesmo se desesperar com a morte ou ameaça ao Deus que ela criou, devido à sua identificação com ele, que na verdade só importa por causa da nossa identificação com a própria mente – da identificação de nosso ser ou espírito, que transcende a individualidade, com ela.

Ocorre o mesmo do que quando idealizamos as pessoas; um dia elas demonstram que não são – nem poderiam ser – aquilo que imaginávamos, ou melhor, projetávamos sobre elas.

É uma grande ironia.

O espírito é aquilo que há de real, aquilo que realmente se poderia chamar Deus. A mente cria ilusões. Aquilo que é real e divino em nós se identifica com aquilo que é ilusório e com um divino ilusório – e é essa identificação que nos faz perder o mais puramente divino, do qual essas projeções mentais são meros reflexos. Nos faz perder a nós mesmos.

Aquilo

O caminho para Aquilo que está além da mente não pode estar nela. Ao invés de nos despirmos dessa nossa mente, da nossa personalidade, a fim de que somente reste o que é real, revestimos Aquilo que é, a Verdade ou Deus com uma mente, uma personalidade e nos relacionamos com ela. E nossa personalidade não é sequer real ou eterna.

E, mais do que isso, deixamos que nossas escrituras, ancestrais e sacerdotes definam quem é Deus, quais são suas vontades e os pecados que “ele” condena.

Na verdade, muito do que nos separa de Deus ou da divinidade é esta nossa ideia de Deus.

Maturidade, autodesenvolvimento e o Deus pessoal (por Osho)

O ser humano pode viver uma vida tremendamente rica, feliz, extasiante. Mas a primeira coisa é: ele tem que aceitar sua responsabilidade. Todas as religiões têm ensinado as pessoas a fugir da sua responsabilidade de jogá-las nas costas de Deus. E não existe Deus nenhum. Você não faz coisa alguma, porque acha que Deus vai fazer tudo – e não existe Deus nenhum para fazer coisa alguma. Então o que mais você esperava? O que está acontecendo, o que aconteceu e o que vai acontecer é o resultado natural dessa ideia de que existe um criador.

Se tivessem falado às pessoas: “Esta é a sua existência. Você é responsável por tudo que é, por tudo que faz e por tudo que acontece na sua vida. Tenha maturidade. Não seja tão infantil…” Mas esse Deus não deixa que você amadureça, a “divindade” dele depende da sua imaturidade, da sua infantilidade. Quanto mais idiota você for, mais crédulo será também e mais grandioso será esse Deus. Quanto mais inteligente você for, menos grandioso ele será. Se você for realmente inteligente, não existirá Deus nenhum. Então haverá a existência, haverá você – e você vai criar. Mas o Criador não permite que você se torne o criador.

Toda a minha abordagem é para que você se torne o criador. Você precisa liberar suas energias criativas. E isso só é possível se esse Deus, que nada mais é do que um Godot, for eliminado, sumariamente eliminado da sua visão da vida. Sim, no início você vai se sentir muito vazio, porque esse lugar em você já foi preenchido por Deus. Por milhões de anos ele esteve lá, o santuário sagrado em seu coração foi preenchido com a ideia de Deus. Agora, de repente, jogando-o fora, você vai se sentir vazio, com medo, perdido. Mas é bom se sentir vazio, é bom sentir medo, é bom ficar perdido, porque essa é a realidade. E o que você estava sentindo antes era apenas uma ficção. Ficções não servem para muita coisa. Podem lhe dar algum consolo, mas de que serve o consolo?

O que é necessário é transformação, não consolo. O que é necessário é tratar todas as doenças que você vem carregando, não consolo.

Osho, em Iluminações da Alma (Passagem 147)

Do Deus pessoal ao Absoluto

“Depois de praticar a ascese entendi que a verdade mais alta é esta: o Absoluto está presente em todos os seres. Todos são suas formas múltiplas. Não há outro Deus para se procurar. Somente adora Deus quem serve todos os seres!”

Swami VivekanandaRevista Planeta Especial Ramakrishna de fev/1975

O Eden e o Fernando Spillari explicariam isso da forma do John Ulhoa (Pato Fu).

Tópicos

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