➡️ tantra: literalmente tecer, urdir, tear; fio, linha, fios tecidos. A parte principal, essencial; (também) o poder de uma palavra, pronunciada apenas uma vez para transmitir mais de uma coisa. Exposição, ciência.
Eu vejo algo de pictórico na palavra tantra. As primeiras letras ta são conectadas com um n e então viram tra na segunda sílaba, como se uma linha a tivesse traspassado e acrescentado um r a ela.
O Tantra é um caminho que não nega o mundo, a manifestação material (Shakti) mas, pelo contrário, considera-a brahman manifesto e assim um caminho para o imanifesto, o Espírito ou Shiva.
O que chamamos material é uma expressão do espiritual. O que está dentro e o que está fora não são dois. Logo, para o Tantra não existe uma condenação do material, como na maioria dos outros caminhos e religiões.

O Tantra é a ciência de unir a consciência pura (Shiva) com sua manifestação (prana ou Shakti). No corpo humano, a elevação dessa força vital, então chamada kundalini, parte do chakra muladhara e pode pode culminar no sahasrara ou em brahmarandhra, aonde a fusão com a consciência cessa os pensamentos e manifesta ou inicia o samadhi. A volta das atividades normais caracteriza-se pelo o descenso dessa energia.
Iniciando-se por volta do século 5 EC, o Tantra está no meio do caminho entre a ortodoxia hindu e sua divergência, já que se por um lado tem bases védicas e corrobora e usa princípios vedânticos e do Samkhya, por outro contesta alguns pontos tradicionais, como por exemplo algumas práticas de brahmacharya e de renúncia ao mundano.
O Tantra não renuncia ao corpo, mas o aceita e usa suas potencialidades para evolução espiritual e liberação. Ele tem um caráter desrepressor mental, emocional, energético e corporal.
Existem diversas linhagens tântricas, algumas aparentemente paradoxais, mas em comum a todas está o propósito de despertar a energia kundalini, a manifestação de Shakti em nosso corpo, e realizar sua união com Shiva (ou Vishnu em textos vaishnavas, nem sempre considerados tantras [Wikipedia]) no sahasrara chakra, que desfaz a dualidade Espírito/Matéria.
Tantra e sexo
O grande público público possui uma enganosa ideia a respeito do Tantra. Baseado em recortes, como 1) de uma das práticas rituais tântricas chamada Maithuna ou ato sexual tântrico (o “sexo tântrico”) e 2) de comentários de Osho sobre alguns aspectos do Tantra, e impulsionado pelo oportunismo de se denominar massagens eróticas como “massagens tântricas”, a ideia que se tem é que o Tantra está muito ligado ao sexo, que seria um caminho bastante sexual.
Mas na verdade os manuscritos tântricos mostram e provam o contrário. O Tantra é um caminho espiritual de meditação, de autorrealização, de transcendência.
Tomemos o Vijnana Bhairava Tantra. Nele, Shiva ensina a Shakti 112 meditações ou formas para autorrealização. São 112 situações, provocadas ou do dia a dia, em que a pessoa pode se concentrar, meditar, para alcançar o seu verdadeiro ser. Dentre essas situações, algumas naturalmente ou inevitavelmente se situam durante o ato sexual.
De todas essas meditações, somente três exploram contextos sexuais. Elas compreendem os versos 68 ao 70 do manuscrito (para quem acompanha pelo comentário do Osho são as práticas 48 à 50 dele, caps. 33 e 34). Se você os ler, verá que falam sobre como perceber o ser, brahman ou ananda durante (ou na recordação) de um intercurso sexual.
Em última instância, a união de Shiva e Shakti descrita nesses versos também é a união de espírito e matéria (Purusha e Prakriti no Samkhya), e seu deleite. E é também disso que eles tratam; de perceber, na união sexual, a união cósmica.
Então, o que diferencia o Tantra de tantas outras escolas, religiões e caminhos espirituais, é o não separar o sexo do caminho espiritual; psicologicamente, o Tantra não divide, não mutila o ser humano. Por isso que se fala que é um caminho de aceitação.
O Tantra ser, aos olhos do público, exageradamente ligado ao sexo se deve exatamente ao fato da maior parte das outras religiões o condenarem, reprimirem ou ao menos o deixarem de lado em suas práticas. Para elas, a “religião” ou espiritualidade está separada ou mesmo em oposição ao sexo. E por este ter uma importância vital e uma presença perene em nossas vidas, qualquer caminho que o abordasse de maneira inclusiva seria considerado, para o bem ou para mal, sexual.
Veja também
Manuscritos do Tantra
Livros sobre Tantra
- Kundalini Yoga (Tantra Yoga)
- O livro dos segredos: 112 meditações do Vijnana Bhairava Tantra (Osho) – pdf
- Tantra: O caminho da aceitação (Osho)
- Hinduísmo (Walfredo Medeiros) – audiolivro (Parte 7 – Tantra)
Vídeos
- Mudrās: A diversidade de uso das mudrās com as mãos – neste vídeo sobre mudrás, Flávia Bianchini adentra profundamente em conceitos e práticas do Tantra pouco conhecidos do público ocidental.
Cursos sobre Tantra
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