Se a mente, que é instrumento do conhecimento e base de toda a atividade, cessa, cessa também a percepção do mundo como uma realidade objetiva. A menos que acabe a percepção ilusória da corda transmutada em serpente, a corda que dá lugar à ilusão não é percebida como tal. Mesmo assim, a menos que a natureza ilusória do mundo como uma realidade objetiva cesse, a visão da verdadeira natureza do Ser, na qual a ilusão é formada, não será obtida.
A mente é o poder único, Shakti no Atman, por meio da qual ocorrem os pensamentos de cada um. Verificando o que permanece após a eliminação de todos os pensamentos, achar-se-á que não existe mente separada do pensamento. Então, os próprios pensamentos é que constituem a mente. Nem há uma coisa tal como um mundo físico, fora, independente do pensamento.
No sono profundo não há pensamento, nem mundo. Nos estados de vigília e de sonho há presença do pensamento e também do mundo. Assim como a aranha projeta de si mesma o fio para a teia, também a mente projeta o mundo e o absorve.
O mundo é percebido como a aparente realidade objetiva quando a mente se exterioriza, e desse modo esquece sua identidade com o Ser. Quando o mundo é assim percebido, a verdadeira natureza do Ser não é revelada. Ao contrário, quando o Ser é realizado, o mundo cessa de aparecer como realidade objetiva.
Por uma investigação firme e contínua sobre a natureza da mente, ela é transformada naquilo a que o Eu alude e aquilo, em verdade, é o Ser.
A mente, para existir, tem que depender sempre de alguma coisa concreta; ela nunca subsiste por si mesma. É essa mente que é, de outro modo, chamada de corpo sutil, ego, jiva ou alma. Aquilo que se levanta no corpo físico como eu é a mente.
Caso se investigue de onde surge o pensamento “eu” no corpo achar-se-á, em primeiro lugar, no coração, o sagrado templo do espírito sublime, Atman. Esse é a fonte e o apoio da mente. Chegaremos à mesma fonte pelo processo de repetir “eu, eu, eu…” continuamente e fixando a mente no coração com firmeza.
O primeiro e o principal pensamento que surge na mente é o primordial pensamento “eu”. É somente após originar-se o pensamento “eu” que inumeráveis outros pensamentos surgem. N’outras palavras, somente após o primeiro pronome pessoal, eu, ter surgido, aparecem o segundo e o terceiro, tu, ele, nós etc., e eles não subsistem sem o primeiro.
Desde que todo pensamento somente pode surgir após o pensamento “eu”, e desde que a mente nada mais é que um feixe de pensamentos, é somente através da indagação “Quem sou eu?” que a mente silencia-se.
Além disso, o integral pensamento [“Quem sou eu?”] implícito em tal pesquisa, tendo destruído todos os demais pensamentos, se destrói a si mesmo ou consome-se, tal como acontece com o bastão usado para atiçar a pira funerária.
Ramana Maharshi, extraído das publicações Call Divine, incluído Compilação Quem sou eu?
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